13 maio 2007

Breve história de uma rapariga

Era uma vez uma menina, que nasceu, cresceu, e a meio da sua adolescência apaixonou-se por um rapaz, como muitas outras raparigas no mundo. Com a idade de 17 anos, começou a namorar com um rapaz, como muitas outras raparigas no mundo. Até aqui, uma historia como outras milhões de história semelhantes. Só muda uma coisa… ela pertencia a uma minoria curda, e ele era muçulmano. A família descobriu o romance, e foi apedrejada em praça pública ate à morte.

Fim



Este post podia ficar por aqui, e fugindo um pouco ao tema da “vida suburbana”, permitam-me que expresse a minha modesta opinião. Há uns dias, enquanto almoçava com outro ilustre colega meu, na mítica Cantina 1 da UL, conversava-se sobre a paranóia homicida de Saddam e seus filhos. Matava-se, violava-se e espancava-se a bel-prazer. Ontem, estando Saddam há muito enforcado, vi a notícia da rapariga apedrejada, e, se bem se lembram, os curdos foram das principais vítimas de Saddam. Entretanto, matam à pedrada a miúda de 17 anos que tinha um namorado muçulmano, num mundo onde «Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes».

Li algumas opiniões acerca disto. Basicamente, uns chocavam-se, outros diziam “que isto dos gajos do medio oriente era matá-los todos”, outros diziam “que isto de matar todos os gajos do médio oriente era fazer o mesmo que eles fazem”, outros diziam “que era bem feito que fizessem o mesmo aos gajos, mas não era preciso mata-los todos”.

Eu, sinceramente, não fiquei chocado. Lamento o óbito, lamento a crueldade, lamento o festival público em que se tornou esta execução. Contudo, não me chocou nada. Eu explico porquê. Por exemplo, no meu país, a religião maioritária tem como alicerce uma compilação de escrituras, ditas sagradas… Ora, vamos fazer um pequeno exercício! Vamos abrir as mesmas escrituras no livro do Levitico!

Levítico 20:1 Disse mais o Senhor a Moisés
(…)
Levítico 20:7 Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.
Levítico 20:8 Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor, que vos santifico.”

Oh diabo, temos aqui algo grande! O senhor fala a Moisés!

Levítico 20:9 Qualquer que amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente será morto; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele.”

Vá, amaldiçoar o pai e a mãe é uma cena que é muito feia, fogueira com ele!

Levítico 20:10 O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera.
Levítico 20:11 O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu pai; ambos os adúlteros certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.
Levítico 20:12 Se um homem se deitar com a sua nora, ambos certamente serão mortos; cometeram uma confusão; o seu sangue será sobre eles.”

Pronto, nem a mulher do próximo, nem a do pai, nem a nora! Tudo prá fogueira!

Levítico 20:13 Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse com mulher, ambos terão praticado abominação; certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.”

Isto acho bem, paneleiragem é que não!

Levítico 20:14 Se um homem tomar uma mulher e a mãe dela, é maldade; serão queimados no fogo, tanto ele quanto elas, para que não haja maldade no meio de vós.”

É maldade mas deve dar uma granda pica! Mas pronto, prá fogueira com eles!

Levítico 20:27 O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles.”

O Professor Chibanga nesta altura não devia ter grande clientela…

Quem tiver curiosidade pode ler um pouco mais destas leis, mas o que é certo é que nas escrituras sagradas há quase o argumento para uma matança. A reter com isto há que nós, povos ocidentais, criamos a ideia de que os povos que seguem este tipo de “soluções” são uns bárbaros, mas vendo bem as coisas, nós é que somos uns bárbaros porque metemos os maiores filhos da puta numa prisão onde apenas são enrabados e cagam num balde. Devíamos era matá-los todos! (sublinhe-se o tom irónico da ultima parelha de frases.)

Um pouco por toda a parte, vemos a pena de morte associada à punição de actos que, de uma forma ou outra, repudiam a comunidade, isto não só no médio oriente ou em tempos de antanho, actualmente ainda existe a pena de morte. Apesar de, no mundo civilizado, no global, a pena capital estar extinta, boa parte das pessoas ainda a tem dentro de si. Não faltam casos de pessoas que matam por pensarem que só assim é reposta a justiça. Maiores são os casos de pessoas que dizem “esse gajo devia era morrer” ou “sou contra a violência e contra a pena de morte, mas a esse gajo era enfiar-lhe um espeto em brasa pelo cu acima e assa-lo como se fosse um leitão”. A minha ideia é que a morte, principalmente o poder de tirar a vida, é como algo que sobrevive no instinto animalesco do homem, apesar da evolução social e civilizacional. Tal como nas guerras, perde-se o sentido humano, e toca a decapitar, cortar às postas, violar, queimar, torturar… Tal como na caça às bruxas… Tal como no processo dos Távoras… Tal como nas cruzadas… Tal como na justiça curda… Tal como em todos estes exemplos, há algo de bastante humano no acto de matar. Nós é que já não estamos habituados. Felizmente.

05 maio 2007

O CASO "EMO"

E ajuntaram-se em montões, e a terra cheirou mal.” (Êxodo 8:14)



No decorrer de uma pequena conversa sobre bebedeiras avulsas e tribos urbanas com um ilustre colega meu, enfrentei um gritante desconhecimento com esta nova praga que assola as secundárias e os perfis de hi5: EMOS.

Esta praga, rapidamente associada aos “Vans” ao xadrez, aos Converse All Star garridos, às camisolas vermelhas e pretas às riscas, aos spikes, à paneleirice e a uma tentativa absurda de ser fotogénico, tem crescido a olhos vistos. Quase uma pandemia. É pública a minha aversão a estes seres (só é pena não saberem quem eu sou, logo o facto de ser publica não interessa para nada), visto que a minha experiência nas relações com emos não é das melhores, e passo a explicar alguns porquês deste meu ódio.

Primeiro, e a que mais me enjoa, a atitude rabicholas. Não é de todo masculino desenhar uma lagrimazinha negra um pouco abaixo do olho, e ter uma franja assimétrica que tape o globo ocular oposto. É uma escolha panasca, sem duvida, mas não é isso que intriga…. É o MOTIVO. Ora, uma pessoa com depressão toma Prozac, um metaleiro com depressão ouve My Dying Bride, um emo com depressão, erm… hum… respira?

Para já há que fazer uma pequena análise ao “emo” em si. Originalmente era um estilo de musica, uma variante pilolas do hardcore, ligada à emoção (que é como quem diz, choradeiras). Os emos que vejo hoje em dia, são pessoas que tentam transmitir que vivem num mundo negro, que e tudo a preto e branco, que a vida é infeliz, mas ao mesmo tempo, andam todos contentes a tirar fotos a olhar para o ar, colocando a cabeça em 1º plano, e a tapar a boca como se o tecto para onde olham tivesse uma gravura representando uma orgia inter racial. No caso das raparigas, tiram fotos aos ténis, às chanatas Vans com grande variedade de quadradinhos, quando se encontram fazem estrelinhas com os dedos, usam pins, gravatas e andam de skate. Parece-me mais um bando de punks degenerados do que outra coisa.

É com pena que vejo que não se encontram fiéis às raízes, com tanta tristeza que podiam ter no seu íntimo, era pegar em qualquer bom álbum Doom, passar nuns megafones pela rua, e estes suicidar-se-iam. Com um sacrifício da saúde e higiene pública (cadáveres espalhados pela rua poluem bastante e cheiram mal), resolvia-se o problema. Mas não! Andam todos contentes, fazem piercings no lábio, desenham quadradinhos e aquele A da anarquia, ouvem My Chemical Romance e multiplicam-se.

Segunda coisa irritante nesta espécie – o facto de não serem nem carne, nem peixe, nem comida macrobiótica, ou seja, possuem uma amálgama de características de vários grupos…

Dos punks – Todos pela anarquia, não sabendo o que é isso, e com a mania de dizer “Punk Is Not Dead”;
Dos metaleiros – Adoram fazer os “corninhos” com os dedos;
Dos góticos – Transmitirem o sentimento de melancolia e mágoa, mas que pelos vistos, é só fachada;
Dos skaters – Bem, andam de skate, mal e porcamente na sua maioria;
Dos palhaços – Usam vestimentas às bolinhas e aos quadradinhos;
Dos Teletubbies – fazem aquelas mariquices como estrelinhas de dedos e isso;

Com isto, tornam-se numa espécie de “curdos” das tribos urbanas… os punks de gema não podem com eles, os metaleiros, só não os afogam em cerveja porque é desperdício desse mesmo líquido, os palhaços riem-se deles e chamam-lhes “palhaços” e os Teletubbies já confessaram que dentro daquela casa no subsolo lá que eles têm nos estúdios, sacrificam emos a Lúcifer, ao som de Mayhem… pior pior é agora um movimento que começa a parecer, que une a emofilia ao basofismo, o movimento “Emosofe”. Reparem no pessoal que começa a usar as calças por dentro dos All Stars e caps Lacoste com pins!

A seguir aos grunges, aos dreads e aos basofes, os emos já chegaram… o que vale é que dentro de uns tempos vem outra moda qualquer, e quero ser eu a cria-la, para ganhar alguns cobres.

Hail ‘n’ kill!

04 maio 2007

AVISO AOS LEITORES

Atenção, leitores deste blog

Sendo este blog um espelho da vida suburbana, irá encontrar no seu conteudo:
- racismo, xenofobia, e todos os tipos de preconceito etnico, racial, etc.
- sexismo (mais precisamente, inferiorização das mulheres)
- argumentação falaciosa
- humor negro
- fundamentalismo nas opiniões politicas e no futebol
- narração de sexo explicito
- desrespeito pela vida (tanto humana como animal)
- homofobia (mas as lésbicas escapam)
- satanismo
- desrespeito pelas opiniões dos outros
- entre outras coisas

PORQUÊ ESTE AVISO?

Na vida quotidiana, tanto nós, meros autores deste blog, e vós, cidadãos, damos de caras com situações politicamente incorrectas, coincidentes com os "temas" supracitados. Acontece que, para esclarecer muito boa gente leitora deste espaço, os autores são CONTRA qualquer espécie de preconceito, REPUDIAM o desrespeito pelo próximo e RIEM-SE de quem é fundamentalista. Mesmo sabendo que a grande maioria de vocês lida com este tipo de situações, fica dado o alerta para os leitores mais sensiveis.

Já sabem, se vos parecer que somos racistas, fundamentalistas, estupidos, etc., não levem a sério. Ok, estupidos somos. E parvos. Over and out.