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05 maio 2007

O CASO "EMO"

E ajuntaram-se em montões, e a terra cheirou mal.” (Êxodo 8:14)



No decorrer de uma pequena conversa sobre bebedeiras avulsas e tribos urbanas com um ilustre colega meu, enfrentei um gritante desconhecimento com esta nova praga que assola as secundárias e os perfis de hi5: EMOS.

Esta praga, rapidamente associada aos “Vans” ao xadrez, aos Converse All Star garridos, às camisolas vermelhas e pretas às riscas, aos spikes, à paneleirice e a uma tentativa absurda de ser fotogénico, tem crescido a olhos vistos. Quase uma pandemia. É pública a minha aversão a estes seres (só é pena não saberem quem eu sou, logo o facto de ser publica não interessa para nada), visto que a minha experiência nas relações com emos não é das melhores, e passo a explicar alguns porquês deste meu ódio.

Primeiro, e a que mais me enjoa, a atitude rabicholas. Não é de todo masculino desenhar uma lagrimazinha negra um pouco abaixo do olho, e ter uma franja assimétrica que tape o globo ocular oposto. É uma escolha panasca, sem duvida, mas não é isso que intriga…. É o MOTIVO. Ora, uma pessoa com depressão toma Prozac, um metaleiro com depressão ouve My Dying Bride, um emo com depressão, erm… hum… respira?

Para já há que fazer uma pequena análise ao “emo” em si. Originalmente era um estilo de musica, uma variante pilolas do hardcore, ligada à emoção (que é como quem diz, choradeiras). Os emos que vejo hoje em dia, são pessoas que tentam transmitir que vivem num mundo negro, que e tudo a preto e branco, que a vida é infeliz, mas ao mesmo tempo, andam todos contentes a tirar fotos a olhar para o ar, colocando a cabeça em 1º plano, e a tapar a boca como se o tecto para onde olham tivesse uma gravura representando uma orgia inter racial. No caso das raparigas, tiram fotos aos ténis, às chanatas Vans com grande variedade de quadradinhos, quando se encontram fazem estrelinhas com os dedos, usam pins, gravatas e andam de skate. Parece-me mais um bando de punks degenerados do que outra coisa.

É com pena que vejo que não se encontram fiéis às raízes, com tanta tristeza que podiam ter no seu íntimo, era pegar em qualquer bom álbum Doom, passar nuns megafones pela rua, e estes suicidar-se-iam. Com um sacrifício da saúde e higiene pública (cadáveres espalhados pela rua poluem bastante e cheiram mal), resolvia-se o problema. Mas não! Andam todos contentes, fazem piercings no lábio, desenham quadradinhos e aquele A da anarquia, ouvem My Chemical Romance e multiplicam-se.

Segunda coisa irritante nesta espécie – o facto de não serem nem carne, nem peixe, nem comida macrobiótica, ou seja, possuem uma amálgama de características de vários grupos…

Dos punks – Todos pela anarquia, não sabendo o que é isso, e com a mania de dizer “Punk Is Not Dead”;
Dos metaleiros – Adoram fazer os “corninhos” com os dedos;
Dos góticos – Transmitirem o sentimento de melancolia e mágoa, mas que pelos vistos, é só fachada;
Dos skaters – Bem, andam de skate, mal e porcamente na sua maioria;
Dos palhaços – Usam vestimentas às bolinhas e aos quadradinhos;
Dos Teletubbies – fazem aquelas mariquices como estrelinhas de dedos e isso;

Com isto, tornam-se numa espécie de “curdos” das tribos urbanas… os punks de gema não podem com eles, os metaleiros, só não os afogam em cerveja porque é desperdício desse mesmo líquido, os palhaços riem-se deles e chamam-lhes “palhaços” e os Teletubbies já confessaram que dentro daquela casa no subsolo lá que eles têm nos estúdios, sacrificam emos a Lúcifer, ao som de Mayhem… pior pior é agora um movimento que começa a parecer, que une a emofilia ao basofismo, o movimento “Emosofe”. Reparem no pessoal que começa a usar as calças por dentro dos All Stars e caps Lacoste com pins!

A seguir aos grunges, aos dreads e aos basofes, os emos já chegaram… o que vale é que dentro de uns tempos vem outra moda qualquer, e quero ser eu a cria-la, para ganhar alguns cobres.

Hail ‘n’ kill!