08 maio 2009

Educação Moral? Ou Religiosa? Ou Católica??

É um perigo limitar a educação às exigências do mercado de trabalho. Por isso, as escolas devem oferecer às crianças e jovens uma educação completa, que inclua o ensino religioso, defende o Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE).

O órgão, que reúne 33 países, está preocupado com o ensino religioso. O conselho reuniu esta semana em Estrasburgo, com o Conselho da Europa, onde apresentou um estudo sobre o ensino da religião.

Jorge Paulo, coordenador do departamento de Educação Moral e Religião Católica (EMRC), que esteve em Estrasburgo, confirma que “todas as conferências episcopais estão preocupadas” com o ensino religioso.

“Há algumas forças, uma certa campanha para apagar o religioso. Uma campanha liderada por pessoas que se afirmam ateias e combatem a religião”, denuncia Peter Stilwell, perito no CCEE e responsável pelo Diálogo Inter-religioso do Patriarcado de Lisboa. Stilwell dá o exemplo de França, onde este ensino é marginalizado; e de Espanha e Portugal, onde é alternativo. Só em Itália o catolicismo é considerado património cultural.

Também Jorge Paulo é da opinião que “há correntes que acham que não deve haver ensino religioso na escola pública, pessoas que terão peso político”. O ensino da religião, “em Portugal, é visto como uma concessão à Igreja Católica e não como uma preocupação do Ministério da Educação”, critica Peter Stilwell. “Infelizmente, há muitos preconceitos”, lamenta.

Os sacerdotes defendem a frequência do ensino religioso para compreender o património cultural de um povo, mas também o dos outros. “Se estamos a formar para uma sociedade multicultural, é necessário conhecer os outros porque a religião pode ser factor de divisão”, alerta Stilwell.

Por isso, todos os alunos deveriam frequentar esta ou outra cadeira, de carácter obrigatório, onde tivessem formação religiosa. Não necessariamente católica, adverte Jorge Paulo.

O número de alunos de EMRC não tem crescido, cerca de 40 por cento frequenta a disciplina. O maior problema está no 1.º ciclo onde é difícil conciliar o horário.
Jornal da SONAE

Porque é que sempre que leio artigos como este fico com a sensação que há qualquer coisa mal contada?

Faço a pergunta e respondo-a: porque há sempre a tendência de confundir religião com o catolicismo. Professar ou não catolicismo é uma questão de fé, não me cabe a mim discuti-la, mas posso discutir o que se faz ou se diz em nome disso. Idem para outras religiões.
O que a mim me parece menos certo é haver uma religião que se escuda entre o todo das religiões para se proteger a si própria. Porque na prática, a única coisa que está em causa é o ensino dos princípios inerentes à religião católica, e não às outras. Isto podia ser evitado, se em vez de troca de ataques ou de cada um puxar a brasa à sua sardinha, se reunisse um consenso. Vou enumerar um conjunto de medidas que acho que poderiam ser férteis:

- Acabar com a EMRC (Educação Moral, Religiosa e Católica) e substitui-la por uma disciplina mais abrangente, a Educação Moral e Religiosa Comparada, por exemplo. Vyasa disse que “princípios morais podem ser compartilhados por todas as religiões (…mas suas posições filosóficas são frequentemente diferentes)”. O meu pensamento vai muito de encontro a isto. Acho que numa sociedade cada vez mais indiferente e desregrada, deve haver “alguma coisa” que incuta alguns princípios e valores morais extra, para compensar o que não é ensinado no dia a dia. Penso que o objectivo da EMRC é isto mesmo, mas cai-se na perigosa situação de desigualdade em relação às outras religiões. Porque não um apanhado de tudo o que é bom nas outras confissões? Seria, certamente, muito mais enriquecedor abordar a temática da moral religiosa num plano mais abrangente e com uma visão mais científica e analista do que se fundear numa única religião com uma filosofia pró-dogmática.

- Usar as aulas de Formação Cívica para aquilo que o próprio nome indica – Formação Cívica. É que usar as aulas de formação cívica para outras coisas é o mesmo que andar encher salsichinhas.

- Fomentar e incentivar acções de consciência social e ambiental. Porque ainda há ai muito badalhoco de duas patas, e não devia haver.

- Criar e financiar programas de intercâmbio de alunos dentro da EU, mas intercambio a sério. Faz falta a muita gente sair do portugalzinho, da terrinha onde nasceu. Faz falta mais dialogo com outras gentes, e mais conhecimento sobre outros viveres e outras culturas, porque isto do multiculturalismo não é apenas viver no mesmo bairro com pessoas de ascendência cigana, africana, ucraniana, brasileira, etc.

- Educar as crianças em direcção a um espírito crítico, construtivo, e observador. Uma utopia, eu sei, mas…

A EMRC tem contribuído de maneira inquestionável para isto? Não me parece. Se é para usar tempo do horário escolar, e o próprio espaço escolar, que seja para algo mais pró-activo. Felizmente, quem quiser ainda pode ter aulas de catequese e seguir a sua confissão, e se a isso se aliar um ensino com uma componente mais forte no domínio social e moral, acho que só há a ganhar. Para quem for uma pessoa de fé numa religião e para quem não for. É muito melhor quando ganhamos todos.

03 abril 2008

Sobre a dita rapariga do “dá-me já o telemobél”, (... tenho que fazer as reticencias porque o titulo é muito grande), algumas considerações.

Sobre a dita rapariga do “dá-me já o telemobél”, sobre o ensino publico básico e secundário, sobre os professores, sobre os próprios telemóveis e sobre as operadores de comunicações moveis, algumas considerações.

(Deste titulo já gosto.)


Assisti ao nascimento de um dos assuntos mais polémicos dos últimos dias. Num dos fóruns que frequento, um membro surgiu com o famoso vídeo do ‘Tube e outros tiveram a ideia de o enviar para a comunicação social. Enviaram. Mal sabiam eles o monstro que tinham acabado de criar… Vou-me abster de contar a história, porque, diabos, quem não a conhece?

Várias correntes de opiniões surgiram:

- Por um lado, os “old school”, defensores acérrimos da palmatória, das famosas meninas-de-cinco-olhos, das chibatadas no pelourinho, provavelmente aqueles que elegeram o Prof. Oliveira de Salazar como maior português de sempre. O seu discurso é pautado pela constante repetição da expressão “isto no meu tempo não era assim”. Curioso também que alguns jovens de 25 anos identificam-se nesta corrente de opinião.

- De um outro lado desta trincheira, os “pedopsiquiatras”, que defendem que a rapariga é uma vitima de um cruel conjunto de factores que levaram a esta reacção desesperada que mais não foi do que um “grito” dos seus instintos zelando pela sua sobrevivência num mundo cão.

- Não falta também quem diga que a culpa é da professora. Porque a professora isto, porque a professora aquilo, não foi uma profissional eficiente e não soube tratar correctamente do assunto. Deixo aqui o repto (o réptil, como gosto muito de dizer) para se organizarem acções de formação subordinadas à temática “gestão de crise”.

- Numa outra face da questão, existe a corrente de opinião que impinge a culpa aos pais. Na minha opinião pessoal, talvez sejam os pais aqueles que têm maior fatia de culpa em situações iguais ou semelhantes. Não conheço toda a história de vida da rapariga, mas já se sabe as maravilhas de uma boa educação. Contudo há outros factores. Esta corrente de opinião, na sua forma mais popularucha, defende que os pais deviam de lhe ter dado umas boas lambadas quando ela faltava ao respeito assim nestes modos. Talvez sim, talvez não.

- Por fim, os culpados do costume, a corrente de opinião mais omnipresente de todas, “a culpa é do governo”. Atribui-se as culpas ao Governo, ao Sr. Pinto de Sousa e à Ministra da Educação (cá para mim, só falta sugerir a criação do Ministério da Má-Educação para tratar destes casos e outros que tais), corrente de opinião que é difundida pelas mesmas pessoas que votam no BE e no PCP.

(Há também a corrente de opinião conspiracionista que se traduz no seguinte: Toda esta polémica foi forjada, para levar a escola Carolina Michaelis a tocar de nome. Trocando por miúdos, um escândalo desta envergadura mancharia o “bom” nome da secundária Carolina Michaelis, levando esta mesma escola a trocar de nome. Porquê esta conspiração, perguntam vós? Ao que parece, os autores da conspiração acham Carolina Michaelis um nome horrível, e há que muda-lo o quanto antes!)

Ora bem, temos aqui cinco correntes de opinião diferentes, que se esbarram num pentágono de marradas. Apesar de serem diferentes, o seu objectivo é comum – encontrar, não os culpados, não o que levou a que esta situação acontecesse, mas sim – encontrar BODES EXPIATORIOS.

Vamos lá reflectir, com lucidez, sobre a questão. Agora, que o facto já se sucedeu, o que é que interessa em primeiro lugar? Surgem várias hipóteses:

- Encontrar os culpados para cortar o mal pela raiz.

- Punir a cachopa exemplarmente

- Não fazer nada porque coisas destas acontecem.

Não fazer nada é, obviamente, a pior das hipóteses. Sentar o nalguedo na cadeira, cruzar os braços e assobiar para o ar não resolve coisíssima nenhuma, e temos aqui uma situação que precisa ser resolvida, e o tempo urge, porque a implacável maquina da comunicação social aliada à não menos implacável opinião publica demanda uma resolução para este caso. Para ESTE caso, um dos muitos que acontecem um pouco pelas escolas de todo o país. Pelo que vi, a aluna trocou de escola, assim como a bestinha que filmou e teceu comentários jocosos de baixíssimo nível, de nível quase tão baixo quanto os meus, quando estou naqueles dias de estupidez máxima. Ao que parece, também a professora não apareceu. Se calhar apareceu, com a cara pintada de preto, mas é apenas uma suposição.

Punir a rapariga e a bestinha realizadora do filme parece-me o desfecho mais aceitável. Ora, o mal está feito, penaliza-se os prevaricadores, FIM. Não é cá preciso mais polémicas.

Encontrar os culpados… Esta solução já é mais encorajada pelo duo Comunicação Social/Opinião Publica (CS/OP), pois vejamos – Quantos de nós não fomos alunos e quantos de nós não somos parentes de miúdos ou mesmo pais e temos conhecimento de situações deste tipo? O que é que interessa nessas situações? Que se resolva a situação CONCRETA, que fulano tal deixe de ter atitudes tais.

Aquilo que este caso tem de diferente é que a CS induz a OP a procurar os culpados de TODAS as situações para as extinguir, por isso temos sido bombardeados ultimamente com meia dúzia de queixas por dias de professores que dizem ter sido vítimas de violência por parte de alunos. Sempre a houve, e sempre se soube que havia.

A CS manda a farpa, “ah e tal, existem situações delicadas deste calibre, então Estado, então portugueses, não pode ser!”, e a OP endrominada “pois não pode ser, temos que por fim a isto, assim não dá”.

Ninguém quer ignorar estas situações, apenas não acho proveitoso transforma-las numa cruzada a nível nacional. Primeiro porque cada caso é um caso, e podem ser diferentes as causas, ou porque a rapariga é má por natureza e nunca teve pais que a educassem, ou os pais talvez sejam maus também, ou a rapariga está a atravessar uma fase difícil, ou anda em más companhias, etc.

É impossível, a meu ver, criar um conjunto de medidas com pés e cabeça para se acabar com estas situações. Mesmo que haja uma regra que diga “Os alunos que batam nos professores serão fuzilados com 7 rajadas de arma automática de grande calibre em praça pública ao pôr-do-sol no dia em que cometeu a infracção”, isso vai impedir um aluno violento com fortes convicções suicidas de bater no professor? Se calhar não.

Lanço o apelo para que se fomente a boa educação das crianças, por parte dos pais. O facto de, cada vez mais, os pais serem bastante ausentes da vida dos filhos é uma má influencia. Os filhos ficam entregues ao deus dará, com o que e que se educam? Com os amigos? Com o telemóvel? Com os Morangos Com Açúcar? Usam e abusam das mensagens grátis, 1500 por semana, levando muita gente a chamar à criançada nascida nos anos 90 como a “geração 1500 sms”. Não me parece que seja por aí. De facto, muita miudagem se abstraí das aulas e do mundo em redor quando manda sms, mas se não fossem sms eram desenhos ou outras coisas. É ou não é verdade? As operadoras limitam-se a fidelizar clientes da maneira que elas bem entenderem. Hoje há os Morangos, mas antigamente havia a Malhação e a New Wave e não via ninguém a apontar o dedo às mesmas, dizendo que elas influenciavam comportamentos menos bons da juventude da altura. Não creio que os Morangos e a Malhação sejam assim tão diferentes quanto isso. Quando eu era miudinho, a culpa dos comportamentos violentos era atribuída ao Dragonball. Ora, o que é que o Dragonball e os Morangos com Açúcar têm em comum, para além dos penteados esquisitos? Talvez o facto de serem mais um bode expiatório, para se apontar o dedo e dizer "é este o culpado do mau comportamento das crianças".

O que é que eu vejo de diferente? O desinteresse crescente da parte dos pais pelos próprios filhos. Sempre houve pais que mostravam um certo desinteresse, mas hoje parece que ainda há mais. Não é preciso alongar-me muito nisto, toda a gente sabe que hoje em dia uma das grandes preocupações dos pais é ter um sítio onde deixar o filho durante 10 a 12 horas por dia. Contudo, continuo a achar que os pais não são 100% culpados disto.

A história está repleta de episódios protagonizados pela rebeldia dos jovens, faz parte da natureza humana, não há volta a dar. Sendo assim, o meu apelo primordial é este:

Pais, professores, avós, família em geral, encarregados de educação, tutores e outras pessoas que ensinam a vida – Ensinem a juventude a ter cabecinha para pensar, para que a rebeldia de hoje se transforme na lucidez de amanhã.

30 novembro 2007

ALEVANTA-TE E IANDA!

Este blog, com tanto potencial, é uma pena estar aqui esquecido não é? Voltará ao activo, porque sim, porque me apetece, porque merece, porque ando bastante escritor. Este espaço escuro, das trevas, do "não digas a ninguém" merece alguma actividade, porque é quase um blog de culto. Só falta o quase!

13 maio 2007

Breve história de uma rapariga

Era uma vez uma menina, que nasceu, cresceu, e a meio da sua adolescência apaixonou-se por um rapaz, como muitas outras raparigas no mundo. Com a idade de 17 anos, começou a namorar com um rapaz, como muitas outras raparigas no mundo. Até aqui, uma historia como outras milhões de história semelhantes. Só muda uma coisa… ela pertencia a uma minoria curda, e ele era muçulmano. A família descobriu o romance, e foi apedrejada em praça pública ate à morte.

Fim



Este post podia ficar por aqui, e fugindo um pouco ao tema da “vida suburbana”, permitam-me que expresse a minha modesta opinião. Há uns dias, enquanto almoçava com outro ilustre colega meu, na mítica Cantina 1 da UL, conversava-se sobre a paranóia homicida de Saddam e seus filhos. Matava-se, violava-se e espancava-se a bel-prazer. Ontem, estando Saddam há muito enforcado, vi a notícia da rapariga apedrejada, e, se bem se lembram, os curdos foram das principais vítimas de Saddam. Entretanto, matam à pedrada a miúda de 17 anos que tinha um namorado muçulmano, num mundo onde «Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes».

Li algumas opiniões acerca disto. Basicamente, uns chocavam-se, outros diziam “que isto dos gajos do medio oriente era matá-los todos”, outros diziam “que isto de matar todos os gajos do médio oriente era fazer o mesmo que eles fazem”, outros diziam “que era bem feito que fizessem o mesmo aos gajos, mas não era preciso mata-los todos”.

Eu, sinceramente, não fiquei chocado. Lamento o óbito, lamento a crueldade, lamento o festival público em que se tornou esta execução. Contudo, não me chocou nada. Eu explico porquê. Por exemplo, no meu país, a religião maioritária tem como alicerce uma compilação de escrituras, ditas sagradas… Ora, vamos fazer um pequeno exercício! Vamos abrir as mesmas escrituras no livro do Levitico!

Levítico 20:1 Disse mais o Senhor a Moisés
(…)
Levítico 20:7 Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.
Levítico 20:8 Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor, que vos santifico.”

Oh diabo, temos aqui algo grande! O senhor fala a Moisés!

Levítico 20:9 Qualquer que amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente será morto; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele.”

Vá, amaldiçoar o pai e a mãe é uma cena que é muito feia, fogueira com ele!

Levítico 20:10 O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera.
Levítico 20:11 O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu pai; ambos os adúlteros certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.
Levítico 20:12 Se um homem se deitar com a sua nora, ambos certamente serão mortos; cometeram uma confusão; o seu sangue será sobre eles.”

Pronto, nem a mulher do próximo, nem a do pai, nem a nora! Tudo prá fogueira!

Levítico 20:13 Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse com mulher, ambos terão praticado abominação; certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.”

Isto acho bem, paneleiragem é que não!

Levítico 20:14 Se um homem tomar uma mulher e a mãe dela, é maldade; serão queimados no fogo, tanto ele quanto elas, para que não haja maldade no meio de vós.”

É maldade mas deve dar uma granda pica! Mas pronto, prá fogueira com eles!

Levítico 20:27 O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles.”

O Professor Chibanga nesta altura não devia ter grande clientela…

Quem tiver curiosidade pode ler um pouco mais destas leis, mas o que é certo é que nas escrituras sagradas há quase o argumento para uma matança. A reter com isto há que nós, povos ocidentais, criamos a ideia de que os povos que seguem este tipo de “soluções” são uns bárbaros, mas vendo bem as coisas, nós é que somos uns bárbaros porque metemos os maiores filhos da puta numa prisão onde apenas são enrabados e cagam num balde. Devíamos era matá-los todos! (sublinhe-se o tom irónico da ultima parelha de frases.)

Um pouco por toda a parte, vemos a pena de morte associada à punição de actos que, de uma forma ou outra, repudiam a comunidade, isto não só no médio oriente ou em tempos de antanho, actualmente ainda existe a pena de morte. Apesar de, no mundo civilizado, no global, a pena capital estar extinta, boa parte das pessoas ainda a tem dentro de si. Não faltam casos de pessoas que matam por pensarem que só assim é reposta a justiça. Maiores são os casos de pessoas que dizem “esse gajo devia era morrer” ou “sou contra a violência e contra a pena de morte, mas a esse gajo era enfiar-lhe um espeto em brasa pelo cu acima e assa-lo como se fosse um leitão”. A minha ideia é que a morte, principalmente o poder de tirar a vida, é como algo que sobrevive no instinto animalesco do homem, apesar da evolução social e civilizacional. Tal como nas guerras, perde-se o sentido humano, e toca a decapitar, cortar às postas, violar, queimar, torturar… Tal como na caça às bruxas… Tal como no processo dos Távoras… Tal como nas cruzadas… Tal como na justiça curda… Tal como em todos estes exemplos, há algo de bastante humano no acto de matar. Nós é que já não estamos habituados. Felizmente.

05 maio 2007

O CASO "EMO"

E ajuntaram-se em montões, e a terra cheirou mal.” (Êxodo 8:14)



No decorrer de uma pequena conversa sobre bebedeiras avulsas e tribos urbanas com um ilustre colega meu, enfrentei um gritante desconhecimento com esta nova praga que assola as secundárias e os perfis de hi5: EMOS.

Esta praga, rapidamente associada aos “Vans” ao xadrez, aos Converse All Star garridos, às camisolas vermelhas e pretas às riscas, aos spikes, à paneleirice e a uma tentativa absurda de ser fotogénico, tem crescido a olhos vistos. Quase uma pandemia. É pública a minha aversão a estes seres (só é pena não saberem quem eu sou, logo o facto de ser publica não interessa para nada), visto que a minha experiência nas relações com emos não é das melhores, e passo a explicar alguns porquês deste meu ódio.

Primeiro, e a que mais me enjoa, a atitude rabicholas. Não é de todo masculino desenhar uma lagrimazinha negra um pouco abaixo do olho, e ter uma franja assimétrica que tape o globo ocular oposto. É uma escolha panasca, sem duvida, mas não é isso que intriga…. É o MOTIVO. Ora, uma pessoa com depressão toma Prozac, um metaleiro com depressão ouve My Dying Bride, um emo com depressão, erm… hum… respira?

Para já há que fazer uma pequena análise ao “emo” em si. Originalmente era um estilo de musica, uma variante pilolas do hardcore, ligada à emoção (que é como quem diz, choradeiras). Os emos que vejo hoje em dia, são pessoas que tentam transmitir que vivem num mundo negro, que e tudo a preto e branco, que a vida é infeliz, mas ao mesmo tempo, andam todos contentes a tirar fotos a olhar para o ar, colocando a cabeça em 1º plano, e a tapar a boca como se o tecto para onde olham tivesse uma gravura representando uma orgia inter racial. No caso das raparigas, tiram fotos aos ténis, às chanatas Vans com grande variedade de quadradinhos, quando se encontram fazem estrelinhas com os dedos, usam pins, gravatas e andam de skate. Parece-me mais um bando de punks degenerados do que outra coisa.

É com pena que vejo que não se encontram fiéis às raízes, com tanta tristeza que podiam ter no seu íntimo, era pegar em qualquer bom álbum Doom, passar nuns megafones pela rua, e estes suicidar-se-iam. Com um sacrifício da saúde e higiene pública (cadáveres espalhados pela rua poluem bastante e cheiram mal), resolvia-se o problema. Mas não! Andam todos contentes, fazem piercings no lábio, desenham quadradinhos e aquele A da anarquia, ouvem My Chemical Romance e multiplicam-se.

Segunda coisa irritante nesta espécie – o facto de não serem nem carne, nem peixe, nem comida macrobiótica, ou seja, possuem uma amálgama de características de vários grupos…

Dos punks – Todos pela anarquia, não sabendo o que é isso, e com a mania de dizer “Punk Is Not Dead”;
Dos metaleiros – Adoram fazer os “corninhos” com os dedos;
Dos góticos – Transmitirem o sentimento de melancolia e mágoa, mas que pelos vistos, é só fachada;
Dos skaters – Bem, andam de skate, mal e porcamente na sua maioria;
Dos palhaços – Usam vestimentas às bolinhas e aos quadradinhos;
Dos Teletubbies – fazem aquelas mariquices como estrelinhas de dedos e isso;

Com isto, tornam-se numa espécie de “curdos” das tribos urbanas… os punks de gema não podem com eles, os metaleiros, só não os afogam em cerveja porque é desperdício desse mesmo líquido, os palhaços riem-se deles e chamam-lhes “palhaços” e os Teletubbies já confessaram que dentro daquela casa no subsolo lá que eles têm nos estúdios, sacrificam emos a Lúcifer, ao som de Mayhem… pior pior é agora um movimento que começa a parecer, que une a emofilia ao basofismo, o movimento “Emosofe”. Reparem no pessoal que começa a usar as calças por dentro dos All Stars e caps Lacoste com pins!

A seguir aos grunges, aos dreads e aos basofes, os emos já chegaram… o que vale é que dentro de uns tempos vem outra moda qualquer, e quero ser eu a cria-la, para ganhar alguns cobres.

Hail ‘n’ kill!

04 maio 2007

AVISO AOS LEITORES

Atenção, leitores deste blog

Sendo este blog um espelho da vida suburbana, irá encontrar no seu conteudo:
- racismo, xenofobia, e todos os tipos de preconceito etnico, racial, etc.
- sexismo (mais precisamente, inferiorização das mulheres)
- argumentação falaciosa
- humor negro
- fundamentalismo nas opiniões politicas e no futebol
- narração de sexo explicito
- desrespeito pela vida (tanto humana como animal)
- homofobia (mas as lésbicas escapam)
- satanismo
- desrespeito pelas opiniões dos outros
- entre outras coisas

PORQUÊ ESTE AVISO?

Na vida quotidiana, tanto nós, meros autores deste blog, e vós, cidadãos, damos de caras com situações politicamente incorrectas, coincidentes com os "temas" supracitados. Acontece que, para esclarecer muito boa gente leitora deste espaço, os autores são CONTRA qualquer espécie de preconceito, REPUDIAM o desrespeito pelo próximo e RIEM-SE de quem é fundamentalista. Mesmo sabendo que a grande maioria de vocês lida com este tipo de situações, fica dado o alerta para os leitores mais sensiveis.

Já sabem, se vos parecer que somos racistas, fundamentalistas, estupidos, etc., não levem a sério. Ok, estupidos somos. E parvos. Over and out.